"Sentir o nosso coração ao mesmo tempo que o de alguém a quem damos um abraço faz-nos de tal maneira bem a saúde, traz-nos uma tal paz, que até existe uma forma de tratamento chamada terapia do abraço! [...] Abraçar alguém é como dizer-lhe: Olha, aqui estou para o que quiseres, de coração pra ti. [...] Não são só as pessoas solitárias, infelizes, inseguras, que precisam ser abraçadas. Abraçar bem dá-nos saúde. Mas não se trata de abraços sociais, de conveniência, em que duas pessoas se tocam apenas por fora - portanto, não se tocam -, nem de braços de dois amantes apaixonados que um ao outro se agarram. São abraços que acontecem porque saem cá de dentro sem que os travemos. Como expressão de um amor incondicional que nos habita - e de que não temos medo, porque o olhamos como algo que verdadeiramente nos liberta. [...] Abraços são uma espécie de foguetes capazes de fazer despertar moribundos ou fazer levantar da cama preguiçosos. Explosões de vida. Há quem goste de os dar para reafirmar um vínculo de amizade ou qualquer outro sentimento. E são uma das melhores festas gratuitas a que toda gente tem acesso. São abraços do fundo do coração, frequentes entre duas pessoas que, por nada pedirem a outra, cada vez que se encontram, recebem sempre muito - e apenas por isso são levadas a celebrá-lo. Quando um coração se abre para outro coração, há quase sempre uma qualquer maravilha que pode acontecer. Ou, quando mais não seja, uma sensação de paz possível, neste mundo cheio de guerras em que vivemos. " x
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Dia Internacional do Beijo
"Por que beijamos?
O beijo ativa todos os nossos sentidos - como o olfato, o paladar e o tato - para que forneçam pistas sobre a compatibilidade e o potencial a longo prazo do parceiro. Nosso corpo e cérebro nos ajudam a decidir se devemos investir no relacionamento. Ao mesmo tempo, as terminações nervosas existentes nos lábios fazem da experiência algo extremamente agradável. E é função dos hormônios e dos neurotransmissores promoverem o vínculo e a proximidade entre as duas pessoas.
Quais são os mecanismos químicos e biológicos envolvidos no ato de beijar?
Quando o beijo "combina", nossas bochechas ficam avermelhadas, nossa pulsação acelera, a respiração fica irregular e as pupilas dilatam - o que pode explicar por que fechamos os olhos. Beijar libera ainda o "hormônio do amor", a ocitocina, que trabalha para manter a conexão entre duas pessoas. Portanto, beijar pode ajudar a manter o amor em relacionamentos longos. Também é associado ao beijo o aumento de dopamina, neurotransmissor responsável pelo desejo. Enquanto isso, a serotonina causa pensamentos obsessivos sobre o parceiro. Esse é o mesmo neurotransmissor envolvido em pessoas com TOC. Isso é apenas o começo. É interessante observar como esses hormônios e neurotransmissores são responsáveis por vários dos sintomas que nós associamos à paixão.
Como o cérebro reage ao beijo?
Um beijo bom envia uma cascata de sinais para o cérebro, que nos fazem sentir bem, reforçando o comportamento, o que nos faz ter vontade de continuar o que estamos fazendo.
Beijar vicia?
A dopamina é um neurotransmissor que atinge seu pico durante o beijo. É um tipo de droga natural, associada à recompensa, que nos faz sentir uma onda de euforia e desejo. Ela estimula os mesmo centros de prazer no cérebro que as drogas, nos fazendo querer mais e mais, como um vício.
Beijar é perigoso?
Embora o beijo possa transmitir bactérias e vírus, é algo relativamente seguro. Existe um número muito maior de germes que podem ser transmitidos por um aperto de mão.
Qual o maior engano sobre o beijo?
Provavelmente o ditado que diz que "um beijo é apenas um beijo". Na verdade, há muito mais coisas envolvidas.
O que faz um beijo ser memorável?
De acordo com John Bohannon, psicólogo da Universidade de Butler, o primeiro beijo pode deixar uma memória muito viva. Ele descobriu que a maioria das pessoas consegue se lembrar detalhadamente da experiência. Isso pode ter alguma relação com os altos níveis de excitação dos nossos sentidos para reunir informações importantes sobre a atividade e a outra pessoa. É um momento muito poderoso e nos ajuda a decidir o que fazer em seguida.
Quais os benefícios do beijo para a saúde?
Uma vez que o beijo é um meio tão significativo para criar vínculos entre as pessoas, ele é benéfico para a mente e também para o corpo. Vínculos fortes estão ligados a melhores relacionamentos, uma melhor sensação de bem estar, atitudes mais otimistas, baixa pressão sanguínea e menos estresse."
- x
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Sobre o amor
"Então aqui estou eu. Sentado na minha cama e escrevendo sobre amor. Ao meu lado está meu bulldog inglês, Pumba - o grande amor da minha vida. Quando me pediram para escrever algo sobre amor, eu aceitei na mesma hora, mas agora estou pensando... que p**** eu sei sobre o amor?!
Acho que eu aceitei porque desde que posso me lembrar, eu acredito nele. Eu acredito no amor e nada além disso. O tipo de amor grande, o esmagador, o totalmente fora do controle e acima de tudo, o tipo de amor "eu faria qualquer coisa por você".
Por que eu acredito nisso? Eu não sei, não faço ideia. Tudo que eu sei é que eu acredito.
Desde que eu era um garotinho sentado no meu quarto da casa dos meus pais, numa pequena vila de 800 pessoas chamada Loitsche, na parte leste da Alemanha, onde cresci, eu era consumido pelos meus pensamentos sobre grandes cidades, cantar, estar no palco e encontrar meu grande amor. Meu irmão gêmeo, Tom, nunca entendeu essa parte. Ele não ligava para isso.
Meus amigos algumas vezes zoam de mim e quase todos que conheço pensam que tenho uma ideia de conto de fadas sobre o amor e sempre dizem que não é como nos filmes - que eu sou muito romântico e tudo isso é só uma fantasia minha. Eles dizem, "na vida real, o amor funciona bem diferente!"
As pessoas pensam que sou muito ingênuo porque nunca me machuquei e tudo que eu penso é que eles provavelmente se machucaram muito. É por isso que eles dizem coisas como essa. Que alguém quebrou seus corações ou talvez nunca tenham realmente amado alguém o suficiente e é por isso que eles não se identificam com o que digo.
A parte engraçada disso é que eu provavelmente sou quem mais se machucou entre todas essas pessoas juntas. Coração quebrado, completamente destruído, o pior tipo de coração partido que você pode imaginar. Pior do que eu havia imaginado que poderia acontecer comigo. Enganado, traído, pego para tirarem vantagem. Estou dizendo isso sem contar a história toda, claro, mas eu quero que as pessoas saibam que coisas como essas acontecem comigo também - para aqueles que parecem estar "cobertos de ouro".
Embora eu ainda esteja tentando me curar, ainda acredito - o que é algo bom. Eu ainda acredito na mágica, no grande único amor da vida. Isso vai acontecer comigo? Eu não sei. Pensei que eu já havia encontrado uma vez, então talvez não... mas eu espero que sim, porque esperança é o que nos mantém seguindo em frente e eu realmente acredito que o amor é o motivo de estarmos aqui! Sem outra razão. Apenas amor!
As pessoas gostam de categorizar e rotular tudo. Isso é menos perigoso; sente-se mais segurança. Especialmente na indústria que estou. Sinto que as pessoas ficam loucas se não souberem se há uma mulher ou um homem na minha cama. É por isso que eu recebo a "pergunta gay" desde que tenho 13 anos, quando comecei a dar entrevistas. Eu sempre pensei... por que isso importa? Eu sempre pensei que eu estava aqui para cantar e apresentar para as pessoas?
Eu nunca senti como se eu devesse alguma resposta para qualquer pessoa sobre isso e me diverte saber que fazem grande coisa disso. No meu mundo, não é preto no branco e eu penso que a verdadeira pergunta deveria ser: Por que estamos perguntando isso? Por que isso importa? Por que precisamos rotular tudo?
Ninguém sabe o que vai acontecer no próximo minuto, no próximo segundo. Quem sabe quem eu irei encontrar? Talvez eu esteja prestes a encontrar alguém que mude minha vida para sempre e, se isso acontecer, realmente importa o gênero que dessa pessoa? O que eu sei mesmo é que o amor é algo lindo e não podemos controlá-lo. Não temos poder sobre isso. Não sabemos de onde vem e nunca sabemos quando irá nos atingir e essa é a beleza do amor.
Então, acho que terei que esperar e ver... espero que eu encontre a mágica, o tipo que cure o que foi machucado e que me dê asas.
Meu único conselho é: ame quem você deseja amar e ame quem te ame de volta. A vida é muito curta.
Mas, de novo, que p**** eu sei?"
- Bill Kaulitz
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Mentiras consensuais
"Existem pessoas felizes e pessoas infelizes, e todas elas se questionam. Umas bebem champanha e outras água da torneira, e se fazem as mesmas indagações. Se existe uma coisa que nos unifica são as dúvidas que trazemos dentro. São pequenas angústias que se manifestam silenciosamente, angústias que não gritam, ou gritam somatizadas em úlceras, insônias e depressões. Angústias diante das mentiras consensuais. O que são mentiras consensuais? São aquelas que todo mundo topou passar adiante como se fosse verdade. Aquelas que ouvimos de nossos pais, eles de nossos avós, e que automaticamente passamos para nossos filhos, colaborando assim para o bom andamento do mundo, para uma sanidade comum. O amor, o sentimento mais nobre e vulcânico que há, tornou-se a maior vítima deste consenso. Mentiras consensuais: o amor não acaba, não se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo, quem ama quer filhos, quem ama não sente desejo por outro, amor de uma noite só não é amor, o amor requer vida partilhada, amor entre pessoas do mesmo sexo é antinatural. Tudo mentira. O amor, como todo sentimento, é livre. É arredio a frases feitas, debocha das regras que tentam lhe impor. Esta meia dúzia de coordenadas instituídas como verdades fazem com que muitas pessoas achem que estejam amando errado, quando estão simplesmente amando. Amando pessoas mais jovens ou mais velhas ou do mesmo sexo ou amando pouco ou amando com exagero, amando um homem casado ou uma mulher bandida ou platonicamente, amando e ganhando, todos eles, a alcunha de insanos, como se pudéssemos controlar o sentimento. O amor é dono dele mesmo, somos apenas seu hospedeiro. Há outros consensos geradores de angústia: o mito da maternidade, a necessidade de um Deus, a juventude eterna. Sobem e descem de ônibus milhares de passageiros que parecem iguais entre si, porém há entre eles os que não gostam de crianças, os que nunca rezaram, os que estão muito satisfeitos com suas rugas e gorduras, os que não gostam de festas e viagens, os que odeiam futebol, os que viverão até os cem anos fumando, os que conversam telepaticamente com extraterrestres, os ermitões, enfim, os desajustados de um mundo que só oferece um molde. Todos nós, que estamos quites com as verdades concordadas, guardamos, lá no fundo, algo que nos perturba, que nos convida para o exílio, que revela nossa porção despatriada. É a parte de nós que aceita a existência das mentiras consensuais, entende que é melhor viver de acordo com o estabelecido, mas que, no íntimo, não consegue dizer amém. "
- Martha Medeirosquinta-feira, 25 de setembro de 2014
O que acontece no meio
"Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo. Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos. No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam. O difícil é saber, previamente, quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa. Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte. No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas."
- Martha Medeiros
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Se eu fosse eu
"Se eu fosse eu, reagiria. Diria exatamente o que eu penso e sinto quando alguém me agride sem perceber. Deixaria minhas lágrimas rolarem livremente, não regularia o tom de voz, nem pensaria duas vezes antes de bronquear, mesmo que mexicanizasse a cena. Reclamaria em vez de perdoar e esquecer, em vez de deixar o tempo passar a fim de que a amizade resista, em vez de sofrer quieta no meu canto. Se eu fosse eu, não providenciaria almoço nem jantar, comeria quando tivesse fome, dormiria quando tivesse sono, e isso seria lá pelas nove da noite, quando cai minha chave-geral. Acordaria então às cinco, com toda a energia do mundo, para recepcionar o sol com um sorriso mais iluminado que o dele, e caminharia a cidade inteira, até perder o rumo de casa, até encontrar o rumo de dentro. Se eu fosse eu, riria abertamente do que acho mais graça: pessoas prepotentes, que pensam saber mais do que os outros, e encorajaria os que pensam que sabem pouco, e sabem tanto. Eu faço isso às vezes, mas não faço sempre, então nem sempre sou eu. Se eu fosse eu, não evitaria dizer palavrões, não iria em missa de sétimo dia, não fingiria sentir certas emoções que não sinto, nem fingiria não sentir certas raivas que disfarço, certos soluços que engulo. Se eu fosse eu, precisaria ser sozinha. Se eu fosse eu, agiria como gata no cio, diria muito mais sim. Se eu fosse eu, falaria muito, muito menos. E menos mal que sou eu na maior parte do dia e da noite, que sou eu mesma quando escrevo e choro, quando rio e sonho, quando ofendo e peço perdão. Sou eu mesma quando acerto e erro, e faço isso no espaço de poucas horas, mal consigo me acompanhar. Se eu fosse indecentemente eu, aquele eu que refuta a Bíblia e a primeira comunhão, aquele eu que não organiza sua trajetória e se deixa levar pela intuição, aquele eu que prescinde de qualquer um, de qualquer sim e não, enlouqueceria, eu."
- Martha Medeiros.
sábado, 23 de agosto de 2014
A morte devagar
"Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições. Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo. Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população. Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar."
- Martha Medeiros
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Pedaços de mim
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir, para não enfrentar
sorri para não chorar.
- Martha Medeiros
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Dentro de um abraço
"Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço, se dissolve.
Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.
O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.
Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde de frente para o mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?
Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando na semana dos namorados, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste."
- Martha Medeiros
quinta-feira, 17 de abril de 2014
A maior declaração
" [...] Amor não é uma fatalidade, é algo que inventamos, é a responsabilidade de definir, de assinar, de honrar a letra. Colocamos a culpa no destino para não assumirmos o controle, tampouco sustentarmos nossas experiências e explicarmos nossas falhas. Amar é oferecer nossas decisões para o outro decidir junto, é alcançar o nosso passado para o outro lembrar junto, mas jamais significa se anular. É vulnerabilidade consciente. É fraqueza avisada. É entregar nossa solidão ciente de que é irreversível, podendo nos ferir feio, podendo nos machucar fundo. Não existe nada mais horrível e mais lindo. Ninguém nos mandou estar ali, ninguém nos obrigou a nos aproximar daquela pessoa, ninguém nos determinou a começar uma relação. Não teve um chefão, um mafioso, um tirano, um ditador nos ordenando namorar. Foi você que optou. Assuma até o fim que é sua obra, inclusive o fim. Assuma que sua companhia é resultado direto do seu gosto, sendo canalha ou santa. Não adianta se iludir e tirar o pé. Não vale fingir e mentir freios. Amor não é hipnose, passe, incorporação. É você querendo o melhor ou pior para sua vida. É você roteirizando e dirigindo as cenas. Aquele que tem receio de se declarar não se deu conta de que é o próprio diretor do filme, e que a tela vai mostrar o sucesso e o fracasso de sua imaginação. [...] Amor não surge do além, amor se cria da insistência. A precipitação é uma farsa. Não há como me adiantar e me atrasar em sentimento que eu mesmo realizo. É bobagem negacear prazos, esperar amadurecer limites. Exponho minha paixão fácil, fácil. Nem precisa perguntar. Aprendo a amar amando, para entender que a maior declaração ainda não é o “eu te amo”. É quando alguém confessa: “Não consigo mais viver sem você”.
Mas isso não é amor, é coragem."
- Fabrício Carpinejar
quarta-feira, 16 de abril de 2014
As esquisitices do amor
"Eu estava quieta, só ouvindo. Éramos eu e mais duas amigas numa mesa de restaurante e uma delas se queixando, pela trigésima vez, do seu namoro caótico, dizendo que não sabia por que ainda estava com aquele sequelado etcetera, etcetera. Estava planejando terminar com o cara de novo, e a gente sabia o quanto essa mulher sofria longe dele. Eu estava me divertindo diante desse relato mil vezes já escutado: adoro histórias de amor meio dramáticas. Foi então que a terceira componente da mesa, que é psicanalista, disse a frase definitiva: “Eu, se fosse você, não terminava. Às vezes ficamos mais presas a um amor quando ele termina do que quando nos mantemos na relação”.
Tacada de mestre.
A partir daí, começamos a debater essa inquestionável verdade: em determinadas relações, ficamos muito mais sufocadas pela ausência do homem que amamos do que pela presença dele. Creio que vale para ambos os sexos, aliás. Um namoro ou casamento pode ser questionado dia e noite: será que tem futuro? Será que vou segurar a barra de conviver com alguém tão diferente de mim? Será que passaremos a vida assim, às turras? Óbvio que não há respostas para essas perguntas, elas são feitas pelo simples hábito de querer adivinhar o dia de amanhã, mas a verdade é que mesmo sem certificado de garantia, a relação prossegue, pois, além de dúvidas, existe amor e desejo. E isso ameniza tudo. Os dois estão unidos nesse céu e inferno. Até que um dia, durante uma discussão, um dos dois se altera e termina tudo. Alforria? Nem sempre. Aí é que pode começar a escravidão.
Nossa amiga queixosa, a da relação iôiô, perdia o rumo cada vez que terminava com o namorado. Aí mesmo é que não pensava em outra coisa. Só nele. Não conseguia se desvencilhar, mesmo quando tentava. Todas as suas atitudes ficavam atreladas a esse homem: queria vingar-se dele, ou fugir dele, ou atazana-lo – cada dia uma decisão, mas todas relacionadas a ele. Só quando reatavam (e sempre reatavam) é que ela descansava um pouco desse stress emocional e se reconciliava com ela mesma. Eu nunca havia analisado o assunto por esse ângulo. Sempre achei que a sensação de asfixia era derivada de uma união claustrofóbica e a sensação de liberdade só era conquistada com o retorno à solteirice. Mas o amor, de fato, possui artimanhas complexas.
Minha amiga finalmente terminou sua relação tumultuada e hoje está vivendo um casamento mais maduro e sereno. Aquele nosso papo foi há alguns anos, mas nunca mais esqueci dessa inversão de sentimentos que explica tanta angústia e tanta neura. Por que temos urgência de abandonar um amor pelo fato de ele não ser fácil? Quem garante que sem esse amor a vida não será infinitamente mais difícil? Às vezes é melhor uma rendição do que fugir de um amor que não foi vivido até o fim. Foi isso que nossa amiga psicanalista quis dizer durante o jantar: não antecipe o término do que ainda não acabou, espere a relação chegar até a rapa, e aí sim."
- Martha Medeiros
quinta-feira, 27 de março de 2014
Você aprende
"E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode curar dores emocionais, descobre que se leva anos para construir uma confiança, e apenas segundos para destruí-la. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa... por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém... Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
- William Shakespeare
domingo, 16 de março de 2014
O medo do amor
"Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.
O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.
Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo."
O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.
Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo."
- Martha Medeiros
quarta-feira, 12 de março de 2014
A mulher do futuro
"Uma amiga um dia encheu-se de coragem e me perguntou "você era muito diferente, não era?". Eu? Sou tão misteriosa que não me entendo. Ora, quem de nós não está sempre diferente, sempre mudando? Você mesma não sente que mudou? Desde que nos conhecemos? O melhor é que vai continuar mudando e o melhor ainda é que mesmo que eu esteja aqui para ajudar, no fundo, tudo isso se passa entre você e você mesma. Mas para falar consigo mesma não adianta telefonar, minha amiga, vai dar sinal de ocupado. Você é uma mulher do seu tempo e do tempo que virá. Cabe a você, e só a você, inventar o seu futuro, inventar o seu caminho.
A primeira pergunta se que impõe é: o que é mesmo que você quer da vida? Talvez você descubra que há duas ou três coisas que põe acima de tudo no mundo e saber disso é um passo importante. Mas o que você precisa fazer para conseguir o que quer? Algum sacrifício, isso é quase certo. Mas é quase certo também, que se você quer mesmo o que quer, o sacrifício vale a pena. Sabe o que há de mais profundo e arriscado nessa aventura? É que você está tentando a alegria e isso é muito arriscado. Poucas pessoas, pouquíssimas aliás, vivem com alegria, ou estão lamentando os erros dos outros ou se preocupando com os problemas de amanhã. Viver no passado também não é solução. Alguém já disse, inclusive, que para ser feliz, uma mulher precisa apenas de duas coisas: boa saúde e memória ruim. Vou explicar.
Memória ruim quer dizer esquecer o que nos causou desgosto e lembrar só das horas boas. A felicidade e o futuro, você só pode construir progressivamente, dia após dia. Você está parecendo um personagem de desenho animado, minha amiga. Só que ao invés de estar amarrada a lata barulhentas, está amarrada as próprias preocupações. Caminhar assim é bem mais difícil, não é? Se você se habituou ao o pessimismo então, pior. O dia de amanhã já fica logo com ar de chuva que vem, que já veio. Aproveite para deixar de lado pensamentos e sentimentos que fazem ferver, como ambição, ressentimentos e sonhos impossíveis.
Sonhar é muito bom, mas há vários modos de sonhar. Um deles consiste em cair em devaneios que levam longe, mas como se faz para voltar? Quando se dorme fora de hora, o despertar é ruim. Se é verdade que do chao não se passa, também é verdade que quanto mais alto se está, maior a queda. Outra variedade de devaneio é não enfrentar os fatos, o que também quer dizer não enfrentar o presente. Só que o nosso dever é justamente com o momento presente, sem isso nem haverá o futuro. Gosto muito de astrologia, cartomancia e ciências ocultas, mas ainda não vi nada disso mudar o futuro, nem o passado, é claro. Esse, você já mudou. Mas que importa? Os verdadeiros tesouros se disfarçam no presente, você tem agora o tormento da liberdade e tem que tomar conta do assunto, minha amiga. Os próximos passos você vai ter que dar sozinha.
Isso está com cara de adeus.. e vou contar um segredo: não gosto de ver nada acabar, até o sol se pondo e anunciando um dia que morre, às vezes é um pouco triste, não acha? Mas vou já-já ficar feliz porque a felicidade está mesmo é dentro da gente, tão perto. Por isso sempre se pode encontrá-la de novo, a vida continua, continua sempre, e a tragetória não é apenas um modo de ir, a tragetória somos nós mesmos, matéria de viver, nunca se pode chegar antes e temos que ir, virando as páginas como quem vira as folhas do calendário a cada dia, cada mês e cada ano.
E o futuro? Ah... o futuro. Esse virá por si mesmo, quando menos se esperar, lá estaremos nós em 1970, em 1990, no ano 2000 e depois em 2010, 2011, 2012, 2013! E lá eu sei, haverá uma mulher como eu. Mas atenção: a esperança não é para amanhã, a esperança é esse instante, como agora, é esse momento justo em que você me ouve. E nesse nosso último minuto juntas, se eu ainda tivesse que lhe dar um conselho, eu diria apenas: faça o favor de facilitar o caminho da esperança. Seja feliz, minha amiga. E seja sempre, acima de tudo, mulher."
- x
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Vários lados
"Tenho o lado que brinca, que ouve, que transborda alegria. Tenho o lado amigo, que ri junto, que conversa facilmente, que aconselha com a verdade. Tenho o lado frio, que congela o coração, que se tranca pela falta de motivos, ou pelo excesso deles. Tenho o lado estranho, que confunde à todos, que enfurece alguns, e que machuca à mim. Sou muitas coisas diferentes, em momentos diferentes. Mas, o que me entristece é não ter capacidade de ser uma coisa só: Eu mesmo."
- Junior Lima.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
O que nos faz decidir a ficar com alguém
"O que nos leva a querer passar a vida inteira com alguém é um mistério. Você pode fazer a lista infindável do que mais gosta de sua companhia e do que menos gosta, mas nenhuma vai incluir a chave do relacionamento.É um gesto, uma atitude, uma frase, algo que o toca em particular, que fecha com aquilo que procurava inocentemente desde pequeno. [...] Já vi gente que se uniu pelo modo de dobrar o guardanapo, pelo modo de morder uma fruta, pelo modo de gritar de susto, pelo modo de amarrar os cadarços. Uma observação mínima acorda o inconsciente para sempre. Quanto maior o amor, mais insignificante a origem. Aceitaremos o cotidiano a dois sem determinar o porquê. Nossa decisão está baseada apenas na intuição. Um movimento nos ofereceu segurança para seguir em frente e aceitar o relacionamento."
- Fabrício Carpinejar
sábado, 28 de dezembro de 2013
Tudo existe por um motivo
"Acredito que tudo na vida, cada pessoa na sua vida, cada relacionamento, tudo existe por um motivo. E quando você realmente prestar atenção nisso, certamente entenderá umas dicas que recebemos. É claro qual será o próximo passo. É um quebra-cabeça e tudo se encaixa no lugar certo. E quando crescemos, damos o próximo passo, as peças se encaixam e um dia nos tornamos o que devemos ser."
- Beyoncé Knowles
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
A felicidade é sutil
"A felicidade é sutil. É uma poesia, um pedaço de manga, um gole de vinho, uma música que arrepia. A felicidade é tão simples. Um abraço em quem a gente não vê faz tempo, um carinho de um amigo, um beijo em seu amor. É andar de mãos dadas, encostar a cabeça no ombro do outro no cinema, dormir juntinho. É cheiro de café passado, susto que passa logo, lambida de cachorro no nariz e perfume de flor. A felicidade é serena. Uma ferida que sara, a calça que finalmente entra, a tão desejada voz do outro lado do telefone. Um filho que aprende a dizer mamãe, a receita que dá certo, o olhar que se encontra."
- Clarissa Corrêa.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Sonhos
"Vamos falar sobre realização de sonhos. Quem não possui um sonho...?
Mais comuns e presentes em nossas noites de sono. Mas em determinadas fases da vida são presentes o dia inteiro. E ai... tiram o nosso sono. Alguns sonhos são belos, outros são belíssimos. Mas os sonhos mais importantes e encantadores são os nossos. Sempre..
Alguns afirmam que sonhos são sonhos, e ponto final. Mas o que seria das conquistas sem os sonhos? O que seria das realizações sem os planos?
Sonhar é dar o primeiro passo. Buscá-los é necessário. Como afirmou um dia Elleanor Roosevelt: "O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos". Sonhos.. uma palavra que está na cabeça de todos os vestibulandos. A sala de aula é um depósito de sonhos. Esse final de semana é o momento de conquistar nossos sonhos. Todo o comprometimento e a dedicação ao longo desse ano serão colocados à prova. Seu esforço será recompensado."
- Leo Simione
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"Um sonhos que se sonha só, é só mais um sonho que se sonha só. Mas sonhos que se sonha junto é realidade" (Raul Seixas)
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Saindo do armário
— O quê?
— Não aguento mais viver assim, meu coração está apertado, cansei de mentir.
— Desembucha, meu filho, estou preocupada.
— A senhora já deve ter me visto com a Raíssa estudando no quarto.
— Sim, o que aconteceu?
— A gente estava revisando Matemática, preparando cálculos da prova e a gente beijou na boca.
— Ai Ai Meu Santo Pintor Caravaggio…
— Mãe, eu não consegui me controlar, sei que é errado, mas ela cheirou meu rosto e eu…
— Chega, por favor, não faço questão de saber. Não mereço tamanha humilhação.
— Mas mãe…
— É errado, é contra a natureza, contra as regras de Deus.
— Mãe, por favor…
— Vou pegar meu remedinho.
— Mãe, não vem pôr remedinho na língua, impossível conversar desse jeito.
— Coitada da menina, você se aproveitou dela?
— Não, não foi, é amor.
— O que você quer dizer com amor?
— Estou tentando dizer que sou heterossexual.
— Um filho heterossexual? Não, você não foi educado em escola de padre para sair heterossexual.
— Mas eu gosto de mulher.
— O que seu pai dirá disso, Aurélio? Tem ideia do que está propondo? É uma crise passageira, coisa de adolescente.
— Eu não fico interessado por meninos na escola, não posso ir contra meu desejo.
— É fase, querido. É só cortar os cabelos, fazer chapinha, que passa.
— Mãeee!
— É vontade de ser especial, logo some. Que tal comprar maquiagem no shopping hoje? Há todo um estojo de esmalte, sombras e delineador da Marilyn Monroe, novidade da Mac, acredita?
— Não está me ouvindo, ajuda!
— Eu compro um armário novo para você se esconder, mais espaçoso, com luzes embutidas e espelho, será seu camarim, que tal?
— Vou enlouquecer.
— Isso também aconteceu com o filho da Bete, durou três meses e ele já se veste de Lady Gaga de novo.
— Me ouve. Preciso de seu apoio, não dá para me entender? Não complica.
— Para de falar bobagem.
— Não é um momento, mãe, é uma decisão antiga. Colocava as cuecas do pai em segredo.
— Roubava as cuecas de seu pai?
— Sim, e a bombacha, e os moletons rasgados, e as alpargatas.
— Alpargatas? Eu eduquei você para salto 12. Por que nunca me contou?
— Nunca prestava atenção em mim, apenas se preocupava em comprar sapatos e bolsas.
— Filho, você somente tem 16 anos, é jovem para decidir que é heterossexual. Calma, espera um pouco, muita água vai rolar por debaixo da ponte."
- Carpinejar
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