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domingo, 31 de janeiro de 2021

A cereja proibida já não tão proibida

Ela não sabia se continuaria com essa história ou não. O proibido se manteve em segredo, mas não por muito tempo. Como qualquer segredo que envolve muita curiosidade e desejo, mantê-lo seguro longe de todos era uma tarefa difícil. Ela sabia que precisava fazer algo, já que aquela sala, com aquela cereja, estava tirando seus momentos de tranquilidade.

Após alguns dias, ela decidiu que não manteria mais em segredo. Percebeu que tinha necessidade de voltar àquela sala, mesmo que isso significasse ter que enfrentar o dilema recém-descoberto. Tomando todos os cuidados possíveis, com tensão, ansiedade e adrenalina no corpo, ela foi rumo àquela sala.

Somente as pessoas que fossem frequentadoras daquela casa poderiam pegar a cereja, ela sabia disso. Mas percebeu que a vontade de pegar aquela fruta era tão grande que não importava se ela se tornaria frequentadora da casa com as pessoas que eram julgadas e vistas de modo estranho por uma parte do grupo que sempre fez parte.

Ela parou em frente à porta. 
Respirou fundo. 
E entrou. 

Naquele momento, ela não se sentia mais assustada, mas com uma mistura de ansiedade pelo que viria em alguns instantes. Ela estava decidida a finalmente pegar aquela cereja. A preocupação com o grupo a qual sempre pertenceu estava em segundo plano, ela nem pensava nisso, o foco naquele momento era conseguir o que queria.

Ela subiu a estante, pegou a caixa de vidro e a abriu lentamente, com muito cuidado - mesmo que internamente estivesse completamente agitada, ela não queria ter qualquer movimento que a fizesse quebrar a caixa de vidro. Quando finalmente teve o primeiro contato com aquela cereja, sentiu um sabor que nunca havia sentido antes. Ficou encantada com tudo que sentiu por finalmente ter pego o que queria.

Passaram-se vários anos daquela descoberta. O grupo que ela havia pertencido durante toda vida, até o primeiro contato com a cereja, seguia olhando com estranhamento para os moradores daquela casa. Ela, após tantos anos, já havia perdido a conta de quantas cerejas provou desde aquela primeira vez. Mas diferentemente de alguns daquela casa, ela ainda não poderia ser vista por todos como moradora de lá - para chegar a esse ponto havia outros desafios que precisavam ser enfrentados. Então ela mantinha uma vida dupla, mas sabendo exatamente a qual lugar pertencia, sem qualquer sentimento negativo relacionado a isso.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Três vezes cereja

Passaram-se três anos. Neste tempo, ela já havia realizado o desejo. Ela não conseguiu manter-se distante daquele lugar. Ela mordeu a cereja avermelhada, a maior de todas as outras que já havia visto. Analisando todo o tempo passado, sabia que havia valido a pena correr o risco de ser pega fugindo do caminho a ser seguido. Quando se encontrava com todos aqueles que a acompanhavam desde sempre, ela se comportava como se nada tivesse mudado, embora soubesse que várias pessoas da população local já a olhassem com estranhamento. Porém, para ela, nenhum deles a incomodava: a satisfação de morder aquelas cerejas era muito grande, não deixaria de mordê-las por  conta de olhares. Na verdade, durante essa mudança, ela se sentia melhor justamente no grupo que sempre foi visto como estranho. Um dia, saindo para dar uma volta com mais uma daquelas cerejas na mão, lembrou-se de quando  passou naquele exato lugar e encontrou um homem segurando um mapa.
Os dois cumprimentaram-se. Ele pediu ajuda, gostaria de saber se ela saberia onde encontrar a caverna indicada no mapa. Ela, conhecendo uma parte do local, indicou o caminho mais próximo. "Espero que você a encontre logo", disse. Assim, o homem seguiu viagem. Ao vê-lo seguir o desejo de encontrar aquela caverna, lembrou-se de quando também sentiu uma vontade como essa, a primeira vez que avistou sua cereja preferida, "a cereja proibida" como algumas pessoas chamavam. 
Analisando toda a lembrança, ela concluiu que foi bom entregar-se a curiosidade, que foi bom não conseguir manter-se longe daquela casa, porque foi através dessas escolhas que ela hoje sentia-se bem consigo mesma, sem precisar se preocupar em ser o que esperavam dela. Ela gostava disso, embora ainda convivesse com o antigo povoado onde nasceu, onde ainda olhavam de modo estranho para os que fugiam do caminho a ser seguido. 

domingo, 3 de maio de 2015

A (in)feliz história de um casal

Em um dia na Terra, nasceram dois meninos. Com o passar do tempo, a personalidade de cada um aparecia. Matheus sempre foi um bom menino. Bom aluno na escola, o orgulho dos pais, bonito, inteligente, era tímido, é verdade, mas possuía quase todas as boas qualidades que um filho pode ter. Rodrigo já era diferente, era sim um bom filho, mas sua presença sempre chamava atenção, corria para todos os lados, fazia todos rirem, dava mais trabalho aos pais. Matheus adorava carrinhos e luta. Rodrigo preferia ficar em casa e brincar com bonecas. Matheus atendia as expectativas dos pais. Rodrigo causava preocupação: como o filho poderia desejar brincar de boneca?! Os anos passaram, a pré-adolescência chegou. Nas aulas de educação física, Matheus era um dos melhores no futebol, enquanto Rodrigo observava longe, na arquibancada. Na área do amor, Matheus até tinha suas seguidoras atrás de um romance, mas nenhuma era muito especial. Rodrigo conseguiu uma namorada, mas não durou muito tempo. Mais alguns anos passaram e agora já no final da adolescência, o tempo trouxe uma surpresa: os dois ficaram próximos e em pouco tempo, melhores amigos. A cada dia e semana a amizade crescia numa velocidade anormal. Uniram-se. Aconteceu do amor aparecer para os dois - apaixonaram-se um pelo outro.
Formaram (mais) um casal na Terra e tornaram-se parte de uma minoria. Matheus nunca imaginou que entraria para esse grupo - Rodrigo sempre soube. De qualquer jeito, os dois nunca quiseram sofrer por isso. Não viam nada de errado em amar outra pessoa, independente do gênero. Matheus tornou-se uma decepção para os pais, mesmo que estes nunca tenham obtido uma resposta clara da situação do filho, supostamente "influenciado". Rodrigo passava por constantes tentativas de conversão - para os pais, o filho estar junto de outro garoto era algo inadmissível.
Nada disso mudava o fato dos dois garotos se amarem.
Entretanto, todas as complicações que surgiam por causa desse amor os fazia questionar o motivo de serem assim, afinal quem escolheria ter uma vida de constantes privações? Não demonstre carinho a pessoa amada em público, nada de mãos dadas ou atitudes suspeitas; aguente pessoas desconhecidas gritarem palavras de forma pejorativa; aguente ser motivo de fofoca entre as pessoas enquanto não faz nada de errado; seja motivo de atenção e receba olhares quando resolver não se esconder; escute das pessoas mais próximas o quanto você é desprezível e motivo de vergonha. Alguém escolheria essa vida?, pensava Matheus. Muitas pessoas não entendiam esse amor, muito ao menos desejavam entender, e o condenava. Nada pode sair dos padrões e do esperado - como ficam as expectativas já criadas sobre os meninos desde bebês? Está criado o dilema familiar. A mãe de Matheus dizia proibir que o filho saísse com Rodrigo, caso contrário ele seria contagiado pela doença, "Você não precisa disso, Matheus", dizia a mãe dele. O adolescente não saberia o que é melhor para ele, quem sabe melhor que o próprio é a mãe, ela que sabe de todos os sentimentos e pensamentos que o filho tem, ela que está presente em todos os momentos da vida dele. Matheus é proibido de encontrar com quem ama, não é certo amar alguém do mesmo sexo, é anormal. Matheus sempre foi um bom menino, nunca demonstrou ter tendências a pertencer ao grupo estranho, ele não pode ser um desses. Mas já era tarde demais, Matheus foi contagiado e condenado por seus pais. Ele só queria ser quem realmente era e estar com a pessoa que amava, mas não poderia fazer isso, afinal isso não é normal! Matheus e Rodrigo continuavam apaixonados, perguntando-se o motivo de serem dois garotos num mundo de tamanha intolerância e eram, apesar de tudo, um casal como outro qualquer.
Para aqueles que acreditam que o amor é o mais importante.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Ela

Ela nunca havia experimentado ir àquele lugar, nunca tinha ousado sair de sua cidade - até o dia em que algo dentro de si, algo bem pequeno como uma cereja, a empurrou para seguir em frente com o que sua própria voz dizia. Deixou as vozes alheias de lado e seguiu seu caminho. O começo foi bem interessante: escolheu uma floresta, deparou-se com uma linda trilha. Não tinha em mente o caminho a ser feito - na verdade, decidiu que seguiria um passarinho que voava por lá. Horas passavam, e era como se o cansaço não a alcançasse, ela continuava seguindo o canto do pequenininho - até que reparou que estava em frente a uma caverna, profunda e muito convidativa. Seu guia deixou de ter asas, sua curiosidade é que estava no comando. Embora a curiosidade e ansiedade de conhecer o lugar fosse grande, ela foi cuidadosa, não corria entre as paredes de pedra, não tinha certeza se conseguiria andar normalmente naquele solo - mesmo que fosse feito da terra mais fofa e o mais confortável possível para os pés.
Após a temporada na floresta, ela pensou que já estava na hora de voltar a cidade, mas não a sua, ela queria o anonimato de uma nova cidade, descobrir a história e cultura do lugar. Já no primeiro dia, um vendedor de loja ofereceu-lhe, muito gentilmente, uma caixa de chocolate e, ainda surpresa, ela aceitou. Andou pelas ruas observando a embalagem que acabara de ganhar, seus olhos não prestavam atenção em mais nada. Como não queria estragar a própria sensação de surpresa, nunca abria a caixa de uma vez e, sendo assim, conheceu o conteúdo por inteiro apenas dias depois. Havia algo de extraordinário alí, ela tinha a sensação de que os chocolates apareciam nos lugares que ela tinha certeza de ter esvaziado levando o doce à boca, mas eles surgiam e estavam na frente de seus olhos, não conseguia encontrar uma solução, então devorava os bombons até não aguentar. 
Num dia de sol, um entregador de pizza passou por ela e ofereceu uma. Ela achou um pouco estranho, logo de manhã comer essa massa, e também nunca havia ganhado uma pizza inteira, normalmente, quando conseguia, era apenas as bordas. Mas ela resolveu aceitar, guiada pela vontade de experimentar a sensação de comer uma pizza inteira. O resultado, claro, foi de deixar o sorriso em seu rosto por muito tempo. Ela adorou conseguir todos os pedaços e não alguns pequenos.
Ela, que lá atrás resolveu seguir seu caminho, agora permanecia em seu destino; passou outono, inverno, chegou a primavera! E então veio o verão, o outono, o inverno novamente e ao que tudo indicava, a primavera não seria repetida apenas uma vez.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A pizza

Fernanda vivia num mundo diferente. Por vários caminhos que seguiu, encontrava novas amizades mas nunca uma que durasse muito. Finalmente encontrou uma que parecia ser uma boa amizade - nunca antes uma havia durado tanto quanto aquela. Mas com o tempo passando, Fernanda não conseguia ter um tempo divertido com sua mais nova amizade, como, por exemplo, dividir uma pizza. Gostava muito de comer, aliás, cereja era uma de suas preferências. Muitos dividiam pedaços de pizza com as novas amizades, mas Fernanda nunca conseguia comprar a tal da pizza. Um dia finalmente conseguiu, sua determinação a fez seguir o caminho e comprou, enfim, essa tentação. A sensação era que aquele pedaço era maravilhoso, o melhor do mundo. Saboreou cada pedaço, até que a pizza chegasse ao seu fim.
Mesmo que esta primeira pizza tenha sido conseguida, Fernanda, apaixonada pela deliciosa sensação, deseja comprar muito mais pizzas. Ganhar peso? Não é problema, o mais importante é o prazer de conseguir uma pizza.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A menininha

Uma menina vivia no melhor dos mundos, feliz, nada a incomodava - mas um dia resolveu sair de seu conforto para conviver com duas pessoas. Muito bem, feita essa escolha, a convivência era divertida, mais harmoniosa quase impossível. Mas esse era outro mundo, ingenuidade demais pensar que permaneceria assim o muito que ainda estava por vir. Conforme o tempo passava, a menininha passava por situações que a deixava mais atenta a alguns pontos, informações eram armazenadas, acontecimentos guardados na memória e toda aquela pureza iniciou sua leve partida. Sofreu repressões de pessoas que amava, destruíram seu coração em milhões de pedaços, mas tudo bem, isso era tudo que conhecia do amor. Acostumou-se com o que escutava, absorveu tudo e apropriou como verdade. Estranho era quando discordavam dessa verdade, afinal uma verdade não abre espaço para outra verdade. Como uma chance de mudar sua visão, apareceu alguém e mostrou-lhe o lado que ainda não havia conhecido. Fascinada com a descoberta, fizera mais do que deveria e entrou para a prisão de si mesma. Lugares mudavam, pessoas mudavam, mas ela continuava presa. Por vezes possuía uma visão de liberdade, entretanto tudo não passava de uma miragem. Junto a longa hospedagem carcerária, castigos surgiram e surpresas desagradáveis a surpreenderam - a menininha deu seu jeito para passar por isso. Após essa grande temporada, novas miragens eram criadas, cada vez com mais frequência, até que finalmente era a hora de sua liberdade. A sensação era ótima, ela já não sentia mais peso nas costas. Pôde enxergar o mundo com a magia que havia em seus olhos antes de a impedirem de ser livre. Além do reencontro com sua liberdade, também reencontrou o amor - mas já não era ingênua para acreditar em algo como isso, mantinha-se desacreditada e distante da possibilidade de cair nessa armadilha novamente - suas experiências não haviam sido muito boas. Porém, a já não tão menininha não obteve sucesso em seu distanciamento e acabou, mais uma vez, entrando na aventura do amor. Desta vez, descobria mais e mais, esse contato maior com a liberdade lhe gerou um sentimento de renovação. A menininha continuava a se aventurar pelo mundo. Novas repressões começaram a surgir, mas oposto às suas atitudes anteriores, desta vez as repressões davam-lhe maior certeza de que não poderia continuar a fazer o que sempre fez, desta vez, incentivavam a não colocar seus pensamentos e desejos atrás do que lhe era dito. Aprendia a se impor mais. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Aquela caverna

Era mais um dia para aquele homem que ao andar sobre o sol quente, distraído, pisou em algo. Entre as árvores abaixou-se e pegou aquilo que parecia um pedaço de papel. Cuidadosamente, afastou os pequenos pedaços de terra que ainda restavam e o abriu. Era um mapa, com muitas trilhas, caminhos complicados, mas o destino era o mesmo e parecia agradar. Colocou-o em sua mochila, continuou a andar, chegou em sua casa e encarou por várias vezes aquele mapa. Após dias, decidiu ir atrás daquele caminho, preparou tudo e foi. Com diversas possibilidades de chegar ao mesmo destino, ele escolhia qual lado seguir após cada curva, e depois de horas caminhando, avistou seu destino. Este parecia uma grande caverna, com muitas folhas em sua entrada, um pouco assustador, embora o sol ainda estivesse presente; poucos teriam coragem de entrar e descobrir o que havia em seu interior. Mas ele quis saber o que poderia encontrar. A encarou por alguns instantes e seguiu em frente. Seus primeiros passos dentro daquele lugar foram cuidadosos, com calma. Conforme caminhava e descobria mais sobre aquele lugar, deixava o cuidado de lado para dar lugar à satisfação de ter entrado, quanto mais andava, mais sentia o desejo descobrir o que havia ali. Admirado com o que encontrou em seu interior, desejava permanecer por muitas horas, no frescor do lugar, admirando a forma das pedras que estavam presentes, os desenhos nas laterais de seu interior, ele percebeu que aquele lugar lhe trazia paz. Sem perceber, os minutos foram passando e o sol estava se pondo. Sabendo do risco de voltar o caminho que havia feito com o céu escuro no meio da mata, viu-se na obrigação de sair daquela caverna por mais não houvesse vontade. Posteriormente, ao voltar para sua rotina, o desejo de voltar para aquele lugar era grande, mas isso não era possível. Ele pensava em como conseguiria encontrar um tempo e voltar para a caverna, pensava em possibilidades, e por mais que não houvesse o conhecimento de quando aquele retorno seria possível, ele tinha a certeza de que voltaria àquele lugar.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A cereja proibida

Como de costume, ela junto de suas companhias de sempre frequentava os mesmos lugares, já era algo tão normal que não havia espaço para questionamentos, era automático fazer as mesmas coisas todo dia, afinal aquilo era o certo a ser feito. Meio a seus caminhos, uma vez ou outra, ela via algumas pessoas saindo do caminho a ser seguido, aquelas que eram olhadas de um modo estranho. Mas para ela não era exatamente assim. Havia um estranhamento ao observa-las daquele modo tão diferenciado, claro, porém não as julgava do mesmo modo que a maioria daquele lugar fazia. Escutar aqueles comentários não lhe agradavam muito. De dia a dia, de tanto as observar, acostumou-se com a ideia de segui-las, resolveu ir, ao menos um dia. E assim foi. Numa tarde qualquer decidiu fugir por alguns instantes em que não era observada, assim ninguém notaria sua falta e não seria vista. De esquina em esquina ela se escondia e seguia aquelas pessoas tão diferentes para saber onde tanto frequentavam. Ao chegarem em seu destino, a garota parou. Observou aquele lugar da rua por um bom tempo. Ela queria entrar, ela sabia disso, sua curiosidade estava aumentando. E assim ela entrou naquela casa. Com muita cautela ela entrava nos corredores, não podia ser vista por ninguém, queria se arriscar sozinha. Entre o corredor de madeira e escuro, uma das portas lhe chamou a atenção: pintada de sua cor preferida era acompanhada de tudo que mais lhe agradava, fotografias, algumas frases escritas, e até mesmo o cheiro que saía daquela sala por trás daquela porta. Por alguns segundos se perguntou se deveria fazer aquilo, mas a curiosidade era muito grande e ela abriu a porta. Ao fazer isso, deparou-se com uma parede repleta de fotografias, havia música tocando e uma estante enorme no meio da sala. Era um ambiente de se impressionar, naquele momento ela se perguntava como as pessoas falavam tão mal daquelas que frequentavam aquele lugar. Analisando aquela grande estante velha de madeira, no topo, avistou uma caixa de vidro. Com a curiosidade presente desde que se arriscou neste novo caminho, foi escalando até chegar bem perto daquela caixa. Ao ver o que esta guardava, ficou surpresa. Uma cereja. A caixa de vidro guardava uma cereja. Mas não qualquer uma, aquela era muito avermelhada e maior que todas as outras que já tinha visto. Seus olhos grudaram naquele ponto vermelho, um desejo havia sido despertado dentro daquela garota. Ela queria a cereja. Mas aquilo era certo? Isso seria ir contra tudo que lhe é dito nos lugares que frequentava. Após olhar bastante para aquela cereja, percebeu um pequeno papel ao lado com um aviso: somente as pessoas que fossem frequentadoras daquela casa poderiam pega-la. Aquilo a incomodou, tanto o fato de estar desejando algo daquele grupo, quanto ao fato de não poder tê-la se não mudasse para este grupo. Após essa descoberta, achou melhor voltar para sua casa. Chegou e falou com sua família como se nada houvesse acontecido, mas lá dentro ela sabia. Aquele desejo havia surgido. Ela tentava distrair sua mente com qualquer coisa, funcionava, mas frequentemente aquela sala tão encantadora era lembrada, o que a fazia lembrar daquela cereja. A cereja proibida. Por que ela a desejava? Aquilo não podia estar acontecendo, o que seria dela se descobrissem que ela saiu do caminho que sempre fez? Mas a cereja continuava lá. Os dias passaram, o desejo continuava. Ela não sabia se a cereja ainda permanecia naquela caixa, não sabia se aquilo era certo, não sabia nem se possuiria a permissão de tê-la, não sabia se o desejo de tê-la era o suficiente para que ela entrasse para aquele grupo. Mas a garota sabia que o desejo havia aparecido. Conforme os dias passavam, ela guardava para si toda aquela lembrança. Mantendo-se distante daquele lugar ela estava segura de tudo e de não desejar mais aquela cereja, porque ela sabia que se voltasse àquela casa naquela sala, o desejo voltaria. Ela não sabia se continuaria com essa história ou não, mas por enquanto, o proibido ficava em segredo. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A menina e o passarinho II

A chuva estava chegando. Mas junto a ela veio algo a mais, o passarinho havia voltado. Só com esta volta a menina havia ficado feliz, mesmo que houvesse algumas ameaças de chuva. Os dois passaram horas juntos, foi divertido para os dois, afinal passaram muito tempo separados. Como a menina havia previsto, a chuva chegou, mas não como o esperado. Aquela chuva não era capaz de destruir tudo o que estava por aquele lugar, não era destruidora, mas sim renovadora. A menina fazia com que cada gota que caía sobre seu rosto levasse uma tristeza embora, e apenas se concentrava no quanto aquele instante estava bom. As gotas de chuva eram cada vez mais presentes, mas isso não era tão incomodo, aquele momento era dos dois, apenas dos dois. Ao observa-lo a menina percebia o quanto aquele pequeno passarinho lhe trazia paz; era verdade, ela o amava. Após um tempo, enquanto apenas estavam se observando, ela viu como gostava disso. Apenas isso, olhar aquele pequeno passarinho na sua frente. Ao voltar para sua casa, pensativa, se perguntou se algum dia seriam apenas conhecidos, que foi muito bom enquanto durou, ou se continuariam assim para sempre. Mesmo sabendo que o 'para sempre' não existe, ela gostava de imaginar que nessa situação o para sempre seria possível.

sábado, 19 de janeiro de 2013

A menina e o passarinho

Ela vivia no escuro, nuvens nebulosas, cinzas e carregadas não a deixavam. Após um tempo, como num passe de mágica, um passarinho surgiu. Encantada com a mudança brusca, passou a segui-lo. Conforme sua aproximação aumentava, as nuvens tornavam-se mais claras, até que um dia não havia mais espaço para nuvem alguma. Que sorte a dela aquele passarinho ter surgido, ela pensava, desde que ele havia chegado somente dias ensolarados se faziam; algumas nuvens andavam por perto, mas o sol era mais forte. Após um período, o passarinho precisou voar para longe; a menina não queria que ele se fosse, e ela podia jurar que aquele pequeno passarinho sentia o mesmo, mas aquela separação era inevitável; e assim foi. Longos dias foram aqueles que a menina passou longe da presença daquele pequeno passarinho, mas ela sabia que essa separação não era permanente, apenas momentânea. Seus pensamentos eram ligados de alguma forma, deste modo, aquela distância não atingia estes dois, podiam se divertir ainda que fisicamente distantes. Entretanto, após esta longa temporada separados, a menina já não podia mais sentir o que era sentido antes, toda aquela felicidade de quando o passarinho estava presente já não aparecia mais, ela apenas sabia que era um bem estar grande quando estes dois se juntavam, mas já não era mais capaz de senti-lo ao se lembrar do que passaram juntos. Enquanto o passarinho não voltava, a menina permanecia a espera do dia do reencontro. Ela caminhava pelo campo, observando aquelas nuvens nebulosas voltando, avistando o mal tempo se aproximando. Enquanto a chegada das nuvens parecia cada vez mais próxima, ela se perguntava se quando aquele passarinho voltasse ele seria capaz de fazer com que aquela tempestade fosse embora, assim como ele fez, sem saber, quando surgiu para a menina pela primeira vez.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Algo infinito

Aquele grupo se unia pela última vez naquele lugar, não havia mais a certeza de que iriam se ver como sempre fizeram. Palavras, palavras e palavras, havia muito a ser dito dentro daquelas poucas últimas horas, o que as tornava intensas. Como eram misturadas as emoções naquele momento, memórias eram retiradas do fundo das gavetas, trazendo alegria e saudade. Felicidade de conseguirem ter chegado até onde chegaram misturada com o medo do diferente que está por vir. Risadas não deixaram de fazer parte deste momento, afinal eram estas que tiravam a tensão. Com a sensação de já ter chegado o fim de tudo, o alívio havia chegado, assim como a sensação de despedida. Mas não foi tão simples assim. Este mesmo lugar, com este mesmo grupo de pessoas, recebeu a visita de um anjo. A visita foi inesperada, sem aviso prévio, causando grandes mudanças em alguns daqueles que marcavam presença. Não foram todos que puderam senti-lo, mas os que sentiram puderam lembrar que algumas coisas são muito mais fortes do que outros fatores; como a amizade. Após lágrimas, sorrisos, surpresas, beijos e abraços, ali era o início do fim. O fim que estava cada vez mais próximo. Ou aquele já era o fim?
Precisa haver um fim? Não, não precisa. Enquanto as memórias existirem na mente de cada uma daquelas pessoas, tudo aquilo continuará existindo. Até o último coração parar de bater.
Não, nem mesmo assim isto irá acabar, uma vez que o que foi feito por aquelas pessoas foi compartilhado com muitas outras, que compartilharão com outras, e assim sucessivamente. Mas e agora? Até onde isso irá? Não há limites, o que aquele grupo construiu tornou-se infinito.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A última manhã

A luz da manhã entra pelo quarto mais uma vez. As cortinas balançam com o vento. Coloco meus pés no chão frio, um pouco desorientada com a quantidade de sono que ainda permanece em mim. Entro no banheiro mais uma vez e encaro a água quente do chuveiro. Tudo como sempre foi, mas dessa vez eu sei que é diferente. Como isso pode ser igual e, ao mesmo tempo, diferente das outras vezes? Eu sei. Porque é a última vez, o último dia do que sempre faço - há muito tempo. Tomo meu café da manhã, escovo os dentes. E é agora. Agora que vem o que me incomoda. Esta é a última vez que eu coloco esta camisa. A sensação é estranha. A 'última vez' é de assustar. Mas a coloco sabendo que preciso aproveitar o máximo possível deste último dia com esta camisa. Chego ao lugar em que, em menos de seis horas, vou me despedir, e não apenas do lugar, mas de tudo o que ele representa. Olhares, abraços e lágrimas são compartilhadas entre os que, assim como eu, sabem o que aquelas últimas horas representam. Sabemos que não teremos mais aquela certeza de nos encontrarmos como sempre. Pode ser É tristeza, mas não apenas isso, também há, no ar, a sensação do desconhecido, a ansiedade do que está por vir. Mas o futuro não é algo muito pensado por nós agora, pensamos em aproveitar o que estamos vivendo, viver uma coisa de cada vez. Tudo tem seu tempo, e infelizmente, o tempo do que vivemos agora, acabou.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Atraso na entrega da amizade

Era uma vez duas garotas. Duas loiras, uma de olhos azuis, uma de olhos castanhos. Uma não falava com a outra. As duas queriam se falar, fazer amizade, mas nenhuma das duas tinha coragem de ser a primeira. Passaram-se meses, um ano, dois anos, três anos. Com esse tempo passado, uma delas já havia desistido da ideia de conseguir essa aproximação. Neste meio tempo arrumaram novas companhias, mas nada das duas se falarem. Passou-se mais um ano. Nada das duas se falarem. Mais um ano. As duas ainda não andavam juntas. Quem as observava nunca diria que estas desejavam ser amigas, e tudo isso simplesmente por vergonha e timidez. Estes dois eram a causa deste distanciamento por todos aqueles anos. Entretanto, com a consciência de que iriam acabar o convívio que tinham, uma delas resolveu dar o primeiro passo - mesmo que com a ajuda de um amigo. Surpreendente para as duas: após um tempo descobriram que sempre quiseram ser amigas e nunca iriam imaginar que desejavam a mesma coisa. Com pouco tempo para que acabassem de ir onde sempre foram, perceberam o quanto desperdiçaram o tempo. Mas isso era passado, e não importava mais, o importante era o presente. Após a incrível descoberta já não parecia que passaram tantos anos 'distantes', pessoas diriam que eram amigas por todos aqueles anos. Cada uma tornou-se muito importante para outra. Não sabiam onde ou quando iria acabar, mas só este pouco tempo de convívio já tinha feito valer a pena 'esperar' por esta amizade acontecer.

domingo, 21 de outubro de 2012

A incansável procura

Amy cresceu ouvindo, de sua mãe, que é uma princesa. A pequenininha, de cabelos loiros e olhos verdes, sempre ouvia histórias de princesas antes de dormir. Personagens como Branca de Neve, Bela Adormecida, Cinderela, Bela, Aurora e Ariel eram presentes nos minutos anteriores aos sonhos. Mas sempre havia aquele que era presente tanto nos minutos anteriores quanto nos sonhos: o príncipe.
Ah... aquela figura perfeita: lindo, cavalheiro, educado e que sempre ama a futura princesa. Com todo o incentivo de sua mãe em ficar assistindo filmes de vida encantada e seu pai a chamando de "minha princesinha", Amy cresceu em uma bolha, num mundo encantado, e tornou-se uma adolescente a procura de seu príncipe.
Com o passar dos anos, suas amigas lhe diziam para desistir desta procura, mas nada a convencia de parar com sua procura, mesmo tendo encontrado alguns sapos disfarçados de príncipes no caminho. Mas um dia tudo mudou: Amy estava perdida com seu carro numa estrada de suas viagens e com uma forte tempestade caindo, não conseguia prosseguir qualquer caminho que fosse, o carro estava atolado na lama. Já completamente desesperada, sem saber o que fazer, um homem em cima de um cavalo branco se aproximava, como em um de seus antigos livros. Amy ao olhar o retrovisor não estava acreditando, afinal como que numa forte tempestade daquelas como alguém estaria passeando, principalmente com um cavalo?! Mas Amy viu que era a real quando o homem parou ao lado de seu carro perguntando se 'gostaria de alguma ajuda?', e como em um de seus sonhos tão frequentes, o cavalheiro a salvou daquela situação. Após alguns meses, se conheceram melhor, e após alguns anos casaram-se, assim como nos livros.
Entretanto estamos falando da realidade, e a realidade nem sempre permite finais felizes. Amy sempre soube que no trabalho de seu 'príncipe' havia uma mulher invejosa, desejando lhe tirar o homem que havia conseguido depois de tantos sapos. Um dia a mulher, tomada por raiva e inveja, conseguiu fazer com que o 'lindo e perfeito' príncipe entrasse no sono eterno. Após este ocorrido, Amy perdeu seu rumo, 'o que faço agora?' ela se perguntava. O tempo passava e ela não conseguia seguir sua vida, simplesmente não conseguia continuar a viver sem aquele que havia procurado a vida toda e tinha conseguido achar. Sua dor era muito forte, não uma dor física, antes desejara que fosse, mas este era um tipo de dor que não tem cura, as lembranças não a deixavam descansar. Como forma de desespero, ela finalmente fez. Fez aquilo que já pensava por um bom tempo. A única forma de acabar com tudo isso, toda a dor. Amy juntou-se a seu amor.

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Esta postagem é fictícia, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência ;)

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dos planos para a realidade


Em um dia de primavera, entre a multidão de São Paulo, Daniella, uma garota alta de longos cabelos dourados, sonhava em algum dia se casar com o amor de sua vida, o famoso ator alemão Tom Schäfer que sempre chamava a atenção de todos por ser muito alto, além de ter cabelos mais escuros que carvão e sempre se vestir muito bem. Mesmo que Daniella estivesse consciente de que seu ídolo não fazia ideia de sua existência, por ser uma simples garota do Brasil, ela ainda acreditava que estariam andando de bicicleta juntos em um lindo parque florido da Alemanha.
Como Daniella já amava seu ídolo há cinco anos, conseguiu aprender alemão, para que quando tivesse a oportunidade de viajar pudesse falar com seu ídolo sem problemas de comunicação. Ao completar 18 anos, com mais quatro amigas, foi para Los Angeles tentar uma profissão melhor. Em dois meses conseguiu virar uma das melhores jornalistas da cidade e, com uma ajuda do destino, Tom Schäfer gravaria seu próximo filme do lado de sua casa. Quando Daniella soube dessa grande notícia, conseguiu entrevistá-lo e conversar com aquela pessoa que amava há sete anos. Estava muito feliz por isso. Como ela era uma das únicas da cidade que falava alemão fluentemente, Tom fez uma amizade muito grande com Daniella.
Passando-se dois anos, aquela amizade tornou-se um grande amor, e finalmente Daniella conseguiu se casar com Tom e andar de bicicleta em um parque florido.


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Esta postagem é fictícia, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência ;)

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Querido diário


Querido diário,


         Nesta quinta-feira eu decidi fazer realmente aquilo que tinha que ser feito há muito tempo - e o que eu já tinha tentado falar algumas vezes antes e eu nunca conseguia né.. -, eu finalmente consegui falar, isso é inacreditável. Não foi exatamente como eu tinha planejado, nem tudo foi falado - não consegui juntar tanta coragem pra fazer isso -, mas só de falar o início do que era extremamente necessário, e a outra pessoa já entender não tendo uma reação que me deixaria preocupada, já estou melhor. Não sei... o que aconteceu depois eu não planejava e eu nem estava mais esperando. Mas aconteceu. Apenas assim.
         Acho que o que eu tinha que falar era realmente necessário porque mesmo que eu não tenha falado tudo, já consegui me situar, e saber a situação. Mais razão e menos emoção. Já estava na hora né? Depois de uns bons (?) longos cinco anos, já estava mais do que na hora de acabar com isso. Pelo menos temporariamente.. sei que o certo seria 'eternamente', mas ainda não me encontro com essa firmeza toda. Pelo menos por enquanto, e espero que continue assim para o meu próprio bem, essa história acaba por aqui.
         É, esse dia foi um avanço né? Espero continuar assim, um dia de cada vez.

             Boa noite diário,
                     até a minha próxima evolução.

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

SMS Amor S.O.S


- Diga-me, o que é amar pra você?

- Nossa, nunca me perguntaram isso...
 deixa eu ver.
Acho que é quando você sente algo muito forte por alguém, que não consegue parar de pensar naquela pessoa, que não quer deixa-la ir embora, que não pode se imaginar sem ela. Acho que é isso, mas amar é uma palavra muito forte, acho que nunca cheguei a amá-lo, gostei muuuito dele, mas não creio que eu tenha chegado a fase de sentir isso tudo por ele. Muita gente já banalizou o 'eu te amo', mas eu ainda acredito que, para alguns, dizer isso ainda tem seu verdadeiro valor, tanto que eu nuca disse 'eu te amo' pra nenhum garoto.

- Você disse que amar é não conseguir parar de pensar na pessoa e não conseguir viver sem ela. Acho que amar então é cuidar do seu parceiro, querer seu bem ^^ O que acha?

- É, faz todo sentido!

- Não quis derrubar nem nada, mas é que depois de tanto namorar, tanto quebrar a cara, percebi que eu sempre cuidei das que estavam perto de mim. E elas só queriam eu por perto, até se enjoarem e pedirem pra ir embora. O importante é ambos se cuidarem, não um só cuidar do outro.

- :O Super verdade

- É algo simples mas complexo... 
Se aprende com o tempo sabe? ^^

- É.. essa aprendizagem
 que é longa e complicada,
mas essa que é a graça né?

- ^^ Não teria sentido se apressar, até por que, temos muitas cabeças nesse mundo, muitas formas diferentes de crenças no que diz respeito a amar. Alguns acham que amar é sexo, outros é dar coisas materiais. Falamos de amar, agora relacionamento é algo com algo a mais.

- É, o 'amar' tem vários significados
 de acordo com quem pensa.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ainda é uma pessoa diferente

- Amiga, encontrei o Rodrigo na rua hoje..
- Não! Isso não é justo! Por que você encontra com ele e eu não?!
- Haha, incrível como você ainda se importa com ele. O Rodrigo é um idiota, parece que você nem liga para o que ele fez você passar! Parece que você gosta de ser a boba da história!
- Não é bem assim... eu não penso nele todos os dias, nem todas as horas. O problema é quando ele passa na minha frente, só isso...
- O que você diz não tem lógica! Você reclama de não encontrar o garoto, mas quando ele aparece no seu campo de visão você já sai correndo para que ele não te veja! É mesmo muito doido tudo isso. Você ainda gosta dele...
- Ai para... é que ele é diferente, ainda mexe comigo. Não é que eu ainda goste dele, mas ainda não é uma pessoa como outra qualquer.


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Esta postagem é fictícia, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência ;)

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sábado, 16 de junho de 2012

Um dia de outono

Uma chuva de folhas começa a cair. Me encontro em um caminho onde não é possível avistar o fim, onde não há um som a não ser o sopro do vento aos meus ouvidos. A luz alaranjada tocando o chão clareia a trilha que se fez a minha frente, onde minhas companhias são o dobro do meu tamanho, criando uma cobertura sob minha cabeça. Gosto de passar meu tempo aqui, me sinto bem. Decido seguir em frente, na direção contrária ao vento, solto meu cabelo. Ao andar entre as árvores, encontro um lindo baú , entre as folhas ao chão, fico encantada com seu tamanho tão minúsculo e seus detalhes. Resolvo abri-lo. Encontro um pequena chave com um laço vermelho e um pequeno bilhete: Lembre-se de guardar a chave do seu coração. Apenas entregue-o para quem merecer.
Não sei de onde este baú veio, nem quem o colocou. Me pergunto se há alguém por perto, me observando. Não avisto ninguém, acredito que seja só eu, o vento e as árvores. Resolvo guardá-la comigo. Quando encontro um caminho, vejo que havia alguém esperando por minha chegada. Ao me aproximar dele, sorrindo, ele me mostra a mão fechada, segurando algo. Quando fico a sua frente, ele pede para que eu abra a sua mão e, ao abrir, vejo um pequeno coração com uma fechadura:
- Você leu o meu bilhete e pegou a chave, agora já tem o meu coração. 
Não sei o que dizer, estou surpresa. Após alguns segundos rindo para ele, encaixo a chave. Uma surpresa mais uma vez. Ao rodar a chave, uma parte do coração se abriu, e subiram dois anéis. 
- Passamos muito tempo juntos, rimos juntos, e acho que já está na hora de eu dizer o que venho pensando nos últimos dias: Eu te amo. Você me aceita como seu namorado?
Não consigo dizer o que senti naquele momento, mas com certeza foi algo muito bom.
- Sim, claro!
E este dia é o dia que marcou nosso primeiro dia de namoro e, após anos, ainda estamos juntos e muito felizes. Aquele dia de outono foi perfeito.

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Esta postagem é fictícia, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência ;) 


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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Se ela soubesse...

Eu não conseguia falar com ela. Não por falta de convívio, mas por falta de coragem. Já a conheço há três anos, mas nunca fui capaz de vencer este meu nervosismo quando se trata dela. Para conseguir pelo menos o mínimo de sua atenção faço brincadeiras, piadas e trocadilhos, muito bobas por sinal, mas são tão bobas que obtenho sucesso e consigo fazê-la sorrir. Na páscoa tive a sorte de ser sorteado por ela, no amigo oculto de barra de chocolate, e durante sua descrição sobre mim, estava em dúvida se era eu mesmo, e ao falarem meu nome, ela veio sorrindo até mim e me deu um abraço, simples, mas apenas isso já foi muito bom. Se ela soubesse que tenho este sentimento diferente por ela... não acho que ela perceba. Não deixo que perceba. Mas como nosso convívio, de apenas uma vez por semana, acabou, criei coragem e pela primeira vez toquei neste assunto com ela, não pessoalmente, virtualmente. Puxei conversa e depois falei que sempre tive vontade de chama-la para sair. Acho que ela ficou surpresa. Não. Ela ficou surpresa. Talvez ela tenha me achado um garoto antigo, meloso ou brega. Mas acho que ela não se incomodou com isso. Eu consegui esconder esta minha vontade muito bem, meu trabalho foi bem feito. Ao falar disso, ela ficou sem palavras, não sei se ela não sabia responder por não sentir o mesmo por mim, não respondendo aos meus sentimentos, mesmo sua resposta sendo bem simpática. De qualquer jeito, ela aceitou sair comigo, para minha felicidade. Dois dias depois, voltei ao computador, falei com ela de novo e perguntei se nossa saída estava confirmada mesmo. Para quê fui perguntar isso... ela, com todo jeitinho, respondeu que tinha uma festa para ir e não podia faltar de jeito nenhum. Não acreditei firmemente nesta resposta, levei isso como se fosse uma desculpa para não sair comigo, mas uma parte minha ainda acreditou. Claro que disse que não havia problema, mas fiquei triste porque demorei tanto tempo para falar com ela e levo um 'não'... ok, não foi exatamente assim, mas no fim das contas é como se fosse. Mas mesmo com tudo isso, quem sabe um dia eu tente de novo.



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Esta postagem é fictícia, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência ;) 


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